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Dogão centenário

Coney Island pode ter se tornado uma praia decadente, mas a gastronomia americana tem uma dívida eterna com o balneário do Brooklyn. Foi ali, diz-se, que surgiu o cachorro-quente como os Estados Unidos espalharam pelo mundo.

Cachorros-quentes de Nathan's, o ponto mais antigo a vender esses sanduíches nos Estados Unidos

Não é que os americanos tenham sido inventores de lingüiças e salsichas, há tempos comidas na Europa, e até mesmo preparadas com pães. A diferença estava na forma de servir e comer. Em 1867, um açougueiro alemão que vivia em Nova York, Charles Feltman, abriu sua primeira lojinha dessas sanduíches, servindo as salsichas alemãs grelhadas e dentro de um pãozinho francês. A invenção fez sucesso exatamente pela praticidade, e Feltman vendeu quase 4 mil salsichas somente no primeiro ano da invenção, que se popularizou e gerou centenas de imitações e concorrentes.

A lanchonete ocupa uma esquina junto à praia logo na saída da estação Coney Island do metrô

Em 1880, com os sanduíches se espalhando pelo país, um outro imigrante alemão criou o pãozinho especial para comer com salsichas no Missouri. Na época o sanduíche ainda se chamava Red Hot. Antes do fim do século os americanos já popularizavam o nome de cachorro quente, como ironia por conta da origem duvidosa da carne das salsichas.

O Nathan's vive cheio, mas a lanchonete é grande e não fica com muitas filas

Um ex-funcionário de Feltman foi um dos que seguiram o exemplo do chefe e montaram concorrência. Em 1916, o imigrante polonês Nathan Handwreker abriu a sua lojinha de cachorros quentes em Coney Island, servindo salsichas preparadas por sua mulher. O Nathan’s se consagrou por sua qualidade e pelo marketing competente, e hoje é reconhecido como a lanchonete especializada em hot dogs mais antiga no país.

O hot dog simples vem assim, só com pão e salsicha

O Nathan’s orignal cresceu muito, e continua funcionando na mesma esquina da praia do Brooklyn, logo na saída da estação do metrô Coney Island. A marca se espalhou por outros pontos de Nova York, pode ser encontrada em qualquer lugar dos Estados Unidos e é servida até mesmo em estádios de beisebol, mas todos os dias, milhares de pessoas de todo o país viajam até o local para experimentar o “famoso” hot dog, servido simples, com mostarda, ou com molhos e bacon.

Longos balcões oferecem apoio para comer, catchup, mostarda e guardanapos

O Monstro visitou o ponto histórico em Coney island. Era domingo por volta da hora do almoço e a lanchonete estava bem cheia, mas sem muitas filas, pois há dúzias de caixas prontos para dar conta da demanda. Comeu um cachorro-quente do mais simples, somente com a linguiça tipo frankfurt grelhada e colocada dentro do pãozinho quente. Cada sanduíche pequeno custa U$ 3, mas de fato o cachorro-quente é melhor de que o servido na maioria das barraquinhas de rua de Nova York.

A barraca menor que eles montaram na beira da praia

Uma das coisas que mais ajudou o Nathan’s a se popularizar é que ali é organizado anualmente uma das mais importantes competições de comida do país. Todo 4 de julho, durante a comemoração da independência americana, glutões se reúnem em Coney Island para ver quem consegue comer mais cachorros-quentes de uma vez só.

Outdoor faz a contagem regressiva para o próximo concurso de quem come mais hot dogs

A loja do Nathan’s atualmente tem um cardápio bem variado, que inclui ainda hambúrgueres e frituras. Eles abriram ainda um estande menor da lanchonete no calçadão em frente à praia. Considerando a falta de bons lugares para se comer em Coney Island, experimentar um cachorro-quente centenário vale como refeição e como passeio histórico pela praia nova-iorquina.

Serviço:
Nathan’s Famous
1310 Surf Ave
Brooklyn , NY 11224
(718) 946-2202

Não acredita, então olha aí também…

História do cachorro-quente

Cachorros da moda

“Você está fotografando o melhor cachorro quente de Nova York”. Antes de dar a primeira mordida no pequeno sanduíche comprado por US$ 1,5 em frente à faculdade de moda onde a esposa está estudando, um entusiasta já fazia a defesa dessa que é uma das mais famosas barracas de rua da cidade. Em frente ao Fashion Institute of Technology, até o lanche leva moda no nome, por mais que seja só um pão com salsicha e um toque suave de um molho chili caseiro: Charlie’s Fashion Beef Hot Dog.

Cachorro quente de rua em frente ao FIT

Nova York tem exatamente 3.100 vendedores de comida em suas ruas, segundo o dado oficial de licenças emitidas pelo governo. Eles podem ser vistos por toda a parte, e é raro ver algum esquema que pareça ilegal, por mais que os próprios vendedores de comida tentem fugir um pouco da regulamentação oferecendo mais alternativas de que o que era originalmente permitido a ele.

Apesar de o governo não cobrar quase nada por estas licenças pare vender comida, há todo um esquema de mercado negro de taxas e “aluguéis” que os vendedores precisam pagar. Há pouco mais de um ano, um caso se tornou célebre, quando foi revelado que o vendedor de hot dogs em frente ao Metropoloitan, um dos principais museus da cidade, no Central Park, pagava um aluguel mensal equivalente a mais de US$ 53 mil (mais de R$ 100 mil) – Um cálculo superficial indica que seria preciso vender mais de mil cachorros quentes por dia para pagar as contas no fim do mês. Sem contar o fato de que uma das principais fabricantes de carrinhos de cachorros quentes estima em US$ 0,25 o preço de cada sanduíche.

A barraca de dog do FIT

A revista digital Slate fez um levantamento, entretanto, de que o caso da barraquinha do MET não é o padrão na cidade. Em média, diz um grupo de defesa dos vendedores de cachorro quentes, cada barraca rende, em lucros, apenas U$ 14 ou U$ 16 mil por ano, depois de pagas as taxas do mercado negro de licenças e as multas por estacionamento em lugar errado ou aumento da barraca. Isso é o equivalente a cerca de U$ 1.200 por mês, relativamente pouco para viver em Nova York, mas algo ainda muito fora da realidade brasileira – já imaginou se um vendedor de cachorro quente ganhasse R$ 2.400 por mês?

Em quase toda esquina da cidade, o padrão é simples: os cachorros quentes custam de U$ 1 a U$ 2, e o padrão é vir com mostarda, apenas. Há os locais que servem com cebola, molhos, mas nada suficiente para encher de mais o pequeno pão. O pedido é servido rapidamente e é comum que as pessoas saiam andando e comendo ao mesmo tempo. Muitas barracas também vendem bebidas, espetinhos grelhados (que espalham fumaça e cheiro de queimado) e enormes pretzels.

A escadaria em frente ao Met, onde um vendedor paga até U$ 50 mil por mês para oferecer cachorros quentes.

O sabor dos cachorros quentes, como já foi falado, é concentrado no recheio principal, a salsicha, em vez de muitos molhos e acompanhamentos. Este caso vale também para o sanduíche do FIT, por mais que o molho caseiro de Charlie tenha uma atração à parte. Um dos motivos para serem parecidos é que quase todos usam a mesma salsicha, produzida pela Sabrett, para seus sanduíches. Caminhando pela cidade é fácil ver que a maioria dessas barracas têm adesivos e guarda-chuva (ou sol) com a marca da Sabrett – É verdade, entretanto, que a Sabrett é a principal fábrica de carrinhos de cachorro quente, mas que o vendedor pode fazer o sanduíche com salsichas de outras marcas.

Ao longo das últimas semanas, quando o frio do inverno começou a passar, foi possível começar a experimentar estes sanduíches em diferentes lugares nas ruas da cidade. Pequenos e baratos, eles servem como lanche rápido com sabor agradável e sem pesar no estômago nem no bolso. As barracas, no fundo, não se diferenciam muito umas das outras. Tirando um sanduíche servido com pão gelado e duro em frente ao Madison Square Garden, todos estavam no mínimo bons.

Vai um cachorro quente?

Serviço:

Sabrett

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É a salsicha, estúpido

Slate sobre vendedores de hot dog em NYC

Famigerados cachorros quentes

Em inglês, hot dog, traduzido literalmente para cachorro quente, não é necessariamente um sanduíche, como se conhece no Brasil. Hot dog é algo mais simples, somente a salsicha, que acaba servida num pãozinho pequeno e quase insignificante.

Os cachorros quentes servidos no Gray's Papaya, em Nova York

O idioma dá uma dica a repeito do cachorro quente comido nos Estados Unidos, e especificamente em Nova York. A imagem clássica do sanduíche pequeno, simples e barato, comido nas ruas, com as mãos e sem molhos além de um pouco de mostarda, dão uma impressão de algo sem gosto e sem graça. Nada mais longe da realidade, pois as salsichas servidas como cachorros quentes pela cidade são normalmente o que no Brasil é visto como salsicha especial, pois têm muito mais sabor, textura e tempero, por isso a ausência de molhos, milho, ervilha, batata palha, queijo e purê, como costumam fazer em São Paulo.

É aquela salsicha alemã, a Frankfurter (que também é sinônimo de hot dog), pré-cozida, temperada e suculenta, ainda grelhada antes de servida. Assim como no caso dos hambúrgueres, é nela que está o foco, o interesse do sanduíche, e não nos acompanhamentos. Uma das versão mais difundidas a respeito da origem do cachorro quente, segundo o “NY Herald Tribune”, o hot dog surgiu em Frankfurt, na Alemanha, em 1852, se difundindo nas décadas seguintes nos Estados Unidos.

Os hot dogs, com pouco molho, sem acompanhamentos, um pão pequeno, é tudo a respeito da salsicha

Uma pequena anedota sobre o passado do famigerado cachorro quente é relatada por Câmara Cascudo, estudioso da história da alimentação no Brasil: “Nos subúrbios de Chicago, famoso por seus matadouros, uma firma de comestíveis fundou uma fábrica muito anunciada de ‘cachorros-quentes’ feitos garantidamente de carne de coelho. Um vizinho fronteiro fez-se logo freguês da nova e deliciosa iguaria. Entretanto, com tempo, notou ele que na fábrica entravam com material enormes carroções puxados por quatro ou seis cavalos, e depois saíam tirados por dois apenas. O homem desconfiou e acabou processando a casa e pedindo indenização. No tribunal o fabricante acabou confessando usar alguma carne de cavalo nos dogs. Em que proporção? Inqueriu o juiz. Fifty-fifty, sr. Juiz. Fifty-fifty? Que quer dizer? Pois, titubeou o homem: – um cavalo, um coelho”. Segundo ele, a combinação de pão com salsicha aportou no Brasil em 1928 (“ou 29”, diz), pelo cinegrafista Francisco Serrador.

O balcão de cachorros quentes do Gray's

Com o inverno ainda castigando as ruas de Nova York, os primeiros cachorros quentes experimentados foram servidos por lanchonetes, porque comer na rua ainda é quase impossível.

O Gray’s Papaya já foi escolhido o melhor da cidade por publicações como a revista Time Out. Ele tem mais de um endereço na cidade, e a rede foi criada em 1973, depois que se separou de outra forte rede, o Papaya king.

As salsichas grelhando e os pães esquentando para se juntarem nos cachorros quentes do Gray's

O nome papaya vem do mesmo mamão que se conhece no Brasil. Além do cachorro quente, a lanchonete serve sucos, dos quais o carro chefe é o de papaya.

A organização do Gray’s é bem simpoles, o cliente entra, escolhe a quatidade de salsichas, o ponto de grelha delas e um dos dois molhos oferecidos (repolho ou cebola), já recebe os sanduíches e come ali do lado mesmo, de pé. Por US$ 4,5 comem-se dois dogs e mais um suco.

Como mencionado, o segredo todo é a salsicha, muito bem temperada e grelhada num ótimo ponto. O sanduíche fica pequeno, mas dois servem como uma refeição.

Serviço:
Gray’s Papaya
402 Sixth Ave.
New York, NY 10014
212-260-3532

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New York Magazine

O copo, o sanduíche e o jogo

Em primeiro lugar, o que importa: em eventos esportivos dos Estados Unidos se vende cerveja!!! Pode ser um país moralista, pode ser politicamente correto, pode proibir de mostrar embalagens de bebida alcoólica na rua e o escambau, mas não limita a cerveja durante o jogo do esporte nacional, como o Brasil faz atualmente com o futebol. O caso em questão aqui é outro esporte, o basquete, que é um dos preferidos dos americanos. No ginásio, há muitas opções de bebidas e comidas, a preços altos, mas que tornam o evento ainda mais divertido.

Telão do Madison Square Garden incentiva o time da casa

Evento é mesmo a palavra que deve ser usada para descrever um jogo de basquete nos Estados Unidos. O Monstro esteve na semana passada no Madison Square Garden, que se diz a casa de espetáculos mais famosa do mundo, e talvez seja mesmo. O jogo era entre os NY Knicks e o Chicago Bulls. O jogo acabou com vitória dos Bulls, de virada, por 115 a 109, mas ninguém pareceu ligar muito, não.

As Cheerleaders dos Knicks no intervalo do jogo

A festa começa bem antes do jogo, e é puxada pelo telão e por um sistema de som, que funcionam inclusive durante o jogo. Enquanto um jogador avança, toca músicas, tocam vinhetas, gracinhas e até ironias. O telão incentiva a torcida, empurra o time da casa, tentando atrapalhar o time visitante – mais coisas que o Brasil não permite no futebol (saudades da rádio Ilha). A festa acaba sendo longa, chegando a passar de três horas de jogo. Nos intervalos, é claro, vêm as líderes de torcida, para melhorar ainda mais o clima.

Os cachorros quentes: pão e salsicha

Para agüentar esse tempo todo é que vêm comidas e bebidas. Por todo o ginásio há pequenas áreas vendendo comidas como pipoca, salgadinhos, bolachas e os famosos cachorros quentes, como se vê sempre no cinema e na TV. Os preços são bem altos, mas vale pela experiência turístico-antropológica.

Cada cachorro-quente custa US$ 5,5, e vem apenas a salsicha, em um minúsculo pãozinho, com dois saches de mostarda e catchup. O sanduíche ate que é bom, pois a salsicha é daquelas especiais, temperadas, estilo alemão (Frankfurters). A vantagem desse simplicidade é que se come sem ficar todo sujo, como normalmente acontece com aqueles cashorros quentes cheios de recheio (até purê) encontrados no Brasil.

Bem, depois de toda a descrição, é preciso dizer que, apesar de vender cerveja livremente no ginásio (o que merece comemoração), o preço é quase proibitivo. Cada lata de cerveja com quase meio litro custa US$ 9 (9,5 em caso de chopp). Juntando com o cachorro quente, pagar quase R$ 30 por uma cerveja e um sanduíche fica meio fora dos padrões brasileiros.

Serviço:

Madison Square Garden
4 Pennsylvania Plaza
New York, New York 10001
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